segunda-feira, 2 de junho de 2014

Um dia - David Nicholls

Título original: One Day
Autor: David Nicholls
Tradução: Claudio Carina
Editora: Intrínseca
Número de Páginas: 373
ISBN: 9788580570762
Ano: 2011
Nota: 5/5

   Esse foi daqueles em que assisti primeiro ao filme e depois quis muito ler o livro (quem me conhece, sabe que não vejo filmes sem ler o livro, mas sabe como é, estava passando no TC Pipoca e eu assisti). E como chorei, chorei tanto que desidratei. Fiquei chorando por uns dez minutos. E entrei num momento deprê. Eu simplesmente me identifiquei com a história, porque eu vivi o que Emma viveu. Demorei um pouco pra ler o livro, mas depois de ter sofrido com o filme, uns 6 meses depois me joguei no livro.

    Este filme nos faz refletir o que deixamos passar, o que deixamos de falar, que atitudes deveríamos ter tomado. Será que se eu tivesse feito isso ou aquilo, a minha vida poderia ter sido diferente. É um pouco do que senti após ter lido o livro.

    Tudo começa em 15 de julho de 1988, numa comemoração de formatura da universidade. Dexter e Emma passam uma noite juntos. Dividem seus planos. Bem, Emma conta seus planos para o futuro, Dexter diz que vai deixar tudo acontecer. Mas o que eles não sabiam era que naquele dia um amor verdadeiro nasceu.

    Ambos começam a viver suas vidas, Emma se sente frustrada por não conseguir realizar seus sonhos e Dexter vive uma vida de hoje é o último dia (faça tudo como se não tivesse amanhã). Mas uma coisa não muda... o desejo de sempre conversarem um com o outro. E assim eles vão vivendo, cada um leva a sua vida, mas SEMPRE no dia 15 de julho acontece um encontro, uma carta ou telefonema. E é assim que os capítulos se dividem.

    A cada capítulo vemos flashes da vida de Emma e Dexter durantes os quase 20 anos, sempre marcado pelo 15 de julho.

    Dexter é típico: ame-o ou odeie. Ao passar dos anos você se pergunta se ele esqueceu de crescer, quando é que ele vai tomar juízo, ou quando é que ele vai dar valor a amizade de Em. Com ele é via de mão única, é sempre ele em primeiro lugar, quando ele precisa Em está lá para ajudá-lo, MAS e quando Em precisa?!!! Eu odiei Dex por muitos capítulos, mas conseguia compreendê-lo em outros. Bem, ele estava tentando curtir o máximo que podia, quem sou eu pra recriminá-lo. E ele só queria ser o cara. Com muitas mulheres, álcool, drogas e festas.

    Emma é incrivelmente paciente (sério eu já teria mandado pastar, MENTIRA). Mesmo com todos os sinais que ela dava, Dex nunca notou a queda que Em tinha por ele. Ela sempre escrevia cartas imensas pra ele, enquanto ele escrevia muito mal uma frase. Em vivia frustrada por não conseguir realizar seus sonhos, vivia uma vida amorosa conturbada e sofria pra conseguir sobreviver em Londres. 

    Mas a única coisa que sempre ficava a cada capítulo era: Porque ela não disse isso a ele? Porque ela atura isso dele? Porque... porque... porquês. Essa é a sensação que se tem ao ler esse livro.

    Confesso que em alguns momentos o livro ficou chato, até porque eu li o livro já conhecendo o final e a única coisa que eu esperava era a grande frase:


      Como gostar uma pessoa que só te faz sofrer? É nesse momento que Em descobre o amor próprio, decide que viver em função do Dex não é mais possível. É nesse momento que tive vontade de abraçar a Em. Ehhh Até que enfim acordou. E é aí que Dex começa a descobrir a importância de Emma em sua vida.

       Como pode palavras não ditas e a falta de atitude ter atrasado o Dex e Em, Em e Dex.

    Ser feliz, era tudo o que os dois queriam, mas porque esperar tanto para descobrirem que a felicidade estava no outro, na união perfeita de duas almas irmãs. Ser feliz nas coisas mais simples, num apartamentinho, acordando cedo para trabalhar num pequeno café. 

      Entre idas e vindas, em encontros e desencontros. Tudo que a gente quer é uma amizade, um amor, uma relação como a de Dex e Em.

       Então, eu assisti o filme e me veio aquela seção nostalgia. Porquê? Porque eu vivi uma história como a deles. Fui apaixonada, por 7 anos, pelo meu melhor amigo. Nossa amizade começou por causa de uma professora que nos obrigou a sentar juntos por 2 meses. Eu era a Nerd da sala e ele o descolado. Mas mesmo assim acabamos melhores amigos. Eu dava conselhos, ajudava com as namoradas, bancava a amiga pau pra toda obra. E tudo ia numa única direção. E foi assim por muito tempo. Ele com as namoradas dele e eu tentando achar uma pessoa que o substituísse, mas a única coisa que eu tinha eram relações vazias que nunca deram em nada. Até que um dia eu me apaixonei e lá veio ele me procurar para me dizer: "Eu sempre te amei, mas sempre tive medo de te machucar", ahhhhhhh eu quis gritar: "Porque agora? Agora não dá, eu te amo, mas não quero mais ficar com você. Te amei por 7 anos e você nunca se comprometeu. Não posso". Ainda somos amigos, ele é meu melhor amigo. Se o amo? Claro que sim. Brincamos que se até os 40 não estivermos casados, vamos nos juntar e rir do passado. Mas não quero mais nada. Então quando vi esse filme não teve como não me identificar.

       O livro é muito bom, e a adaptação ficou bem bacana. Super recomendo.

       Trailer do filme:




2 comentários:

  1. Tete,
    Sua resenha ficou tão linda.
    A frase Eu te amo, só não gosto mais de você, é emocionante e tão libertadora.
    Esse é um dos meus livros favoritos.
    Parabéns, você me emocionou.
    bjs
    Luana
    www.blogmundodetinta.blogspot.com

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    Respostas
    1. rsrsrs Ahhh que bom. Tá difícil escrever resenha. Mas esse livro é uma coisa pra mim. E essa frase é incrível, o sentimento não poderia ser explicado de maneira diferente.
      Bjks

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